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Brasil reúne condições ideais para data centers verdes

A questão do Brasil utilizar uma matriz energética menos poluente representa um dos requisitos para a construção dos NGDCs

A situação climática, geográfica e econômica do Brasil favorece a construção de uma nova geração de data centers – batizada de NGDC (Next Generation Data Center). Tratam-se de ambientes projetados para atender às exigências de um menor consumo de energia e de recursos naturais, respeitando ainda questões específicas de disponibilidade e de segurança.

O gerente sênior da consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC) e especialista em eficiência em TI, Norberto Tomasini, conta que já realizou uma série de estudos de viabilidade econômica dos projetos de NGDCs e o que mais chama a atenção é o fato do Brasil ter uma matriz energética mais limpa do que a maioria dos outros países.

Ele explica que, pelo fato de hoje a maior parte da energia utilizada em território nacional ser gerada em hidrelétricas, o índice de emissão de dióxido de carbono (CO2) por watt é mais baixo do que o contabilizado nos Estados Unidos, por exemplo, que usam como principais matrizes energéticas os combustíveis fósseis, como o carvão.

Sinal verde
A Vivo está entre as empresas que optaram pela construção de um data center baseado nesse novo padrão internacional. A operadora está na fase inicial de construção de um NGDC em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo.

Uma das peculiaridades é que deve ser o primeiro ambiente no Brasil a receber o selo internacional Leadership in Energy and Environmental Design (Leed), criado pela entidade norte-americana U.S Green Building Council (USGBC). O selo analisa os critérios de racionalização do espaço físico e de recursos, como o consumo de água e luz.

A PricewaterhouseCoopers inaugurou, no final do ano passado, em Atlanta (Estados Unidos), um data center sustentável com certificação Leed. E a consultoria já manifestou o interesse em replicar o modelo no Brasil. Segundo Norberto Tomasini, trata-se de um projeto que já está em análise.

Em paralelo, o gerente da PwC conta que está trabalhando, em conjunto com um grupo de brasileiros, para traduzir a certificação Leed para o mercado nacional. “Os primeiros data centers nesse padrão estão previstos para serem inaugurados neste ano”, detalha o especialista. Ele contabiliza que hoje existem pelo menos seis projetos de NGDCs que serão instalados no País entre 2010 e 2011, seguindo o padrão criado pela USGBC.

As empresas interessadas em construir esses data centers de nova geração precisam estar preparadas não só para atender às rígidas regras de construção e funcionamento, como também para uma boa base de recursos financeiros. A PwC revela que investiu 200 milhões de dólares para implementar o NGDC em Atlanta, homologado com a certificação Leed Silver.

“Poucas empresas brasileiras terão condições de investir uma quantia tão alta em um projeto como esse”, relata Tomasini. Ainda de acordo com o especialista, manter um centro de processamento de dados com esse padrão só faz sentido para alguns provedores e para empresas com necessidades bastante específicas.

“Construir um data center desses é como investir em uma hidrelétrica. Só se justifica para organizações com regras de negócios que exigem um infraestrutura de TI própria”, informa Tomasini. Um dos exemplos, segundo ele, é o das instituições financeiras, que precisam atender normas bastante rígidas estabelecidas pelo Banco Central.

Não por acaso, dois grandes conglomerados financeiros, que passaram por recentes processos de consolidação, anunciaram investimentos em NGDCs. Tanto o Santander/Real, como o Banco do Brasil e a Nossa Caixa encontram-se na lista de empresas que estão na fase de construção de data centers de nova geração, com o intuito de suportar o crescimento no volume de transações de forma segura.

Redução de custos

Se os investimentos nos novos data centers são altos, por outro lado, eles trazem uma redução considerável de custos. A consultoria Gartner contabiliza que, atualmente, grande parte do parque instalado tem mais de 15 anos e, pelo fato de não serem projetados pensando no uso racional de recursos e de espaço, geram uma conta mensal bastante alta para as organizações.

“Um design eficiente pode reduzir o tamanho de um data center em até 60%”, garante o analista de infraestrutura de TI do Gartner , David Capuccio. O especialista afirma ainda que uma das principais preocupações nesses ambientes é o ar-condicionado, que responde por cerca de 60% da conta de energia elétrica de um centro de processamento de dados tradicional.

Dona do maior data center da América Latina, localizado em Barueri (SP) – com uma área construída de 17 mil metros quadrados –, a Diveo reduziu os custos e melhorou o desempenho de sua operação com um novo sistema de climatização. A empresa confinou seus servidores em racks e adotou o padrão de corredores frios e quentes – no qual as máquinas ficam de frente para as saídas de ar gelado e a parte traseira dos gabinetes está confinada em um corredor quente, onde o ar é removido por meio de aberturas no teto, impedindo que se misture no mesmo ambiente refrigerado. Esta última técnica reduz sensivelmente a demanda do ar-condicionado.

Outra estratégia para economia de energia elétrica e redução de espaço físico é a virtualização. Este modelo permite fazer a consolidação de servidores, usando máquinas virtuais e, segundo o Gartner,  gera um ganho de performance de até 65% e cortes na conta de luz entre 10% e 50%.

Esses ganhos garantem que o retorno sobre o investimento (ROI) de um NGDC ocorra em um prazo de seis a sete anos, segundo o executivo de soluções para infraestrutura de data center da IBM Brasil, Carlos Pane. Ele ressalta que, quando as empresas optam pela construção de todo o ambiente, os benefícios são maiores do que no caso da realização de ajustes em centros que já estão
em operação.

Por: Edileuza Soares, da Computerworld

 



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